segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Coluna do Meio: Um corredor ecológico para o MUSA – exemplo de ação socioambiental

Por Luciana Montenegro Valente*
Edição No. 65

O MUSA – Museu da Amazônia é uma associação civil, sem fins lucrativos, administrada por um conselho que abrange órgãos como a SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), universidades, outros museus, institutos de pesquisa, além de representantes de setores empresariais e técnico-científicos.

Podem ser associados do MUSA: instituições científicas, culturais, públicas ou privadas, e pessoas físicas ou jurídicas que possuam afinidades com os princípios e finalidades da instituição. A ficha de filiação pode ser preenchida no site da instituição.

A idéia do MUSA é se constituir em um “museu vivo”, onde os visitantes poderão interagir diretamente com as “coleções expostas” no seu habitat natural. O seu projeto conceitual diz que:

“O mote ‘viver juntos’, mais que um imperativo de entendimento entre humanos e não humanos que aqui vivem, é, para o Musa, símbolo de um projeto de educação e solidariedade empenhado em promover o convívio dos cidadãos na diversidade cultural, biológica, social e política da grande bacia amazônica.”

Para permitir essa interação direta, o MUSA está se instalando no entorno da Reserva Florestal Adolpho Ducke em Manaus, uma área pertencente ao Ministério da Ciência e Tecnologia – INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) que constitui um fragmento de 10.000ha de floresta tropical úmida na periferia de Manaus.

O terreno do MUSA fica dentro do Assentamento Água Branca, do INCRA, e começa a viabilizar um antigo desejo dos ambientalistas de Manaus: o de constituir um corredor ecológico para a biodiversidade ligando a Reserva Ducke à área pertencente ao Exército – CIGS (Centro de Instrução de Guerra na Selva) que fica do outro lado do Rio Puraquequara, na extremidade leste do Município de Manaus.

Olhando o mapa, fica mais fácil de entender:


O Município de Manaus é limitado ao sul pelos Rios Negro e Amazonas, a “mancha rosa” corresponde à cidade de Manaus (parte mais significativa da área urbana), e a nordeste da mancha vemos um “quadrado verde” que é justamente a Reserva Ducke. Olhando mais de longe, a leste da Reserva Ducke está a áera do GICS – outra grande mancha verde escura, bem maior que a própria cidade de Manaus. O Assentamento Água Branca, dentro do qual se instalará o MUSA fica exatamente entre a Reserva Ducke a área do CIGS.


Estabelecer uma ligação física entre essas duas manchas verdes de floresta primária amazônica nos arredores do centro urbano de Manaus é de extrema importância socioambiental, pois o corredor ecológico, por definição, permite o fluxo genético entre áreas protegidas, protegendo a biodiversidade, facilitando a dispersão de espécies e a recolonização de áreas degradadas, e mantendo populações (neste caso, inclusive de animais de grande porte como o gavião-real, onças e outros) que vivem nessas áreas e que, por estarem no topo da cadeia alimentar, dependem, para sua sobrevivência, de grandes extensões territoriais.

Além disso, a instalação do MUSA no Assentamento Água Branca e a instituição do corredor ecológico vai promover uma nova solidariedade entre todos os assentados e proprietários de lotes do entorno, no sentido de cooperarem em projetos de ecoturismo e desenvolvimento sustentável, como por exemplo o cultivo de hortaliças não tradicionais, e outras atividades que o MUSA já vem fomentando na localidade.

Na semana passada, eu que sou sócia fundadora do MUSA estive em reunião no museu onde traçamos uma estratégia para iniciar a concretização do sonho de mais esse corredor ecológico em Manaus. A estratégia de ação passa pelo protagonismo dos assentados – e nem poderia ser diferente já que eles são os interessados diretos.

Por isso, o primeiro passo será esclarecer a população local sobre o processo, angariar a adesão daqueles que quiserem participar do corredor ecológico e levar a proposta para os Executivos e Legislativos, tanto do nível estadual como municipal.

É importante dizer que os assentados do Água Branca também já pensam na criação de uma Área de Proteção Ambiental na região. Aliás, a APA do Puraquequara já está prevista no Plano Diretor de Manaus, mas, por se tratar de uma unidade de conservação de uso sustentável, depende de regulamentação com decreto de criação, estabelecimento dos limites físicos, criação de conselho gestor para elaboração de plano de gestão ou de manejo e outras medidas, que cabem ao Poder Público.

O MUSA está disposto a ajudar na condução desse processo, atuando junto aos órgãos ambientais de quaisquer esfera de governo.

O processo que o MUSA inicia agora em Manaus, ou retoma – uma vez que alguns passos já foram dados anteriormente, é de extrema importância, por vários motivos: 1) abre uma nova possibilidade de ocupação ordenada de uma região especial do Município de Manaus; 2) previne o isolamento geográfico da Reserva Ducke que, se acontecesse no futuro, colocaria em risco a manutenção a longo prazo de toda a sua rica biodiversidade; e c) inaugura mais uma frente de atuação socioambiental em Manaus, empoderando as pessoas diretamente interessadas a serem as protagonistas dos acontecimentos e do destino dos locais onde moram e onde convivem com a natureza.

E por falar em empoderamento e protagonismo dos atores locais, agora em outra área da cidade de Manaus, quero parabenizar o IECAM – Instituto Ecológico e Comunitário da Amazônia, ONG do bairro Cidade Nova, que mostra sua organização e poder de articulação ao convocar reunião para o próximo dia 10/02, no Conselho do Parque Estadual Samaúma, para discutir o traçado da Avenida das Torres na área de transposição do parque. Sobre esse assunto, quem quiser se informar mais pode ler a Coluna do Meio 59.

Na próxima semana, conto como foi a reunião... e que os exemplos acima relatados sirvam para inspirar outras associações a organizarem em seus bairros, escolas e espaços de vida outras “lutas sociambientais” que visem melhorar – ou no mínimo, impeçam que se deteriore - a qualidade de vida dos habitantes de Manaus.

*Luciana Montenegro Valente é advogada, especialista em Direito Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Unb – Universidade de Brasília, mestre em Direito Ambiental pela Pace University, de Nova Iorque, e servidora do Ministério Público Federal. Escreve para a "Coluna do Meio", do Blog do Bentes e do Blog do NUMAS, às segundas-feiras.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cordel: "Big Brother Brasil, Um programa imbecil"


Autor: Antonio Barreto, natural de Santa Bárbara-BA,
residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Veja mais em A Voz do Cordel.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O holocausto palestino

O que os judeus aprenderam com o Holocausto promovido pelo regime nazista? É possível dizer que não apenas os judeus do passado, mas o mundo aprendeu muita coisa. Mas e os judeus do presente? Será que a criação oficial do Estado de Israel apagou da mente judia os horrores da perseguição nazista contra tantos inocentes? Será que o governo israelense, sob pretexto da eterna ameaça palestina, tenta, mesmo que não abertamente, usar os palestinos como bode expiatório para uma vingança tardia?

Seria tudo um embate religioso ou a religião usada nos argumentos dos dois lados é pretexto para a política de extermínio mútua? Indiferente aos discursos, e querendo ver um lado diferente dos palestinos que é representado pela grande imprensa, sobretudo a ocidental, que o jornalista maltês Joe Sacco esteve em todos os territórios ocupados por Israel para mostrar, em quadrinhos, a realidade do que acontece nos campos de refugiados e nos assentamentos.


O trabalho de Sacco resultou na série Palestina, publicada no Brasil pela editora Conrad em dois títulos: Palestina – Uma nação ocupada e Palestina – Na Faixa de Gaza. E nesse trabalho é possível ver toda a tirania, opressão e desrespeito ao ser humano – coisas que, nesse caso, não partem exatamente dos dois lados; enquanto Israel é armada até os dentes – e com declarado apoio dos EUA -, os palestinos lutam com paus, pedras e molotovs caseiros. Vale à pena ler e refletir.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Coluna do Meio: “Avatar” é aqui

Por Luciana Montenegro Valente*
Edição No. 64

Na semana passada, estive em dois lugares aqui mesmo nos arredores de Manaus, que confirmam o temor da jornalista americana Lori Pottinger, a qual sugeriu em sua coluna no prestigiado site The Huffington Post que o Brasil deveria restringir o filme "Avatar" nos cinemas do país.

Lori aponta semelhanças entre Pandora, o planeta imaginário do filme, e o Brasil. Ela comenta que os Na'vi vivem "numa gloriosa floresta tropical, que lembra a rica biodiversidade da Amazônia". Além disso, há "a ligação que as pessoas do filme têm com sua terra", que, segundo ela, "é tão respeitosa e culturalmente única quanto a das pessoas de tribos reais".

De acordo com o texto, "o governo brasileiro tem algumas semelhanças com os mercenários corporativos do filme". "O plano [do governo brasileiro] de vender o poderoso rio para quem pagar mais vai resultar em despejos forçados e no drástico fim de culturas e do meio de
subsistência de milhares de pessoas", afirma.

"É provavelmente bom para o governo Lula que a maioria das pessoas que vivem em tribos na Amazônia não possam ir ao multiplex da esquina para levar essa pancada", diz a jornalista, para quem "isso poderia desencadear uma enchente que o governo não poderia represar".

E de fato, mesmo sem assistir “Avatar”, é de se elogiar a luta dos povos do Xingu contra a Usina Hidrelétrica de Belo Monte no Pará, que continua. Será que era a isso que a jornalista estava se referindo?

Voltando aos arredores de Manaus, os lugares que visitei e que comprovam que “Avatar” é aqui – mas não exclusivamente aqui, e sim em centenas de outros pontos da Amazônia – foram Novo Airão e uma mineradora que por razoes jurídicas terá seu nome “preservado”- a mesma enfrenta ação civil pública na Justiça Federal do Amazonas desde 2007 – e que se instalou dentro de uma terra indígena e ao lado de uma Reserva Biológica (unidade de conservação de proteção integral).

No caso de Novo Airão, eu, meu marido e filha fomos comprar tapetes e outros artesanatos na Associação de Artesãos de Novo Airão (AANA) que trabalha com tupé (trançados) de arumã (fibra) e na Fundação Almerinda Malaquias (FAM), que trabalha com resíduos de madeira de serrarias da região.

Vale a pena para nossa família fazer a viagem de cerca de três horas de carro desde Manaus, e comprar produtos exclusivos, ambiental e socialmente corretos. É a tal sustentabilidade de nossas ações que sempre venho cobrando aqui na Coluna do Meio – taí minha pequena parte...

Novo Airão é um pequeno “Pandora”, com aqueles botos – embora não concorde totalmente com a licenciosidade com que são mantidos dependentes da alimentação dada no flutuante pelos turistas, ainda assim é uma atividade de educação ambiental das pessoas que tem essa experiência de alimentar os botos, que não estão propriamente em cativeiro.

O contato dos humanos com os animais é importante para a gente não perder nossa conexão e não fazermos como os chineses - a matança de golfinhos... só é capaz de fazer isso quem nunca alimentou um boto na vida!

Os projetos socioambientais que deram certo em Novo Airão, no entanto, como os que indiquei acima, não são governamentais, e sim tocados por ONGs – a Fundação Vitória Amazônica (que aliás está completando 20 anos de formação), no caso da AANA e a Fundação Almerinda Malaquias no caso da FAM.

O problema é que o governo federal, além de não promover diretamente o desenvolvimento sustentável de Novo Airão, decidiu implantar o porto do Município literalmente EM CIMA do flutuante dos botos, na única praia que fica na orla da cidade e que é freqüentada pela população local e turistas, em bem em frente ao arquipélago (Parque Nacional) de Anavilhanas – se considerarmos que o limite do parque, pelo seu decreto de criação, é a margem oposta do Rio Negro, então o porto está mesmo DENTRO da unidade de conservação de proteção integral.

Ou seja, o governo, além de não ajudar, age ignorando e desrespeitando totalmente o potencial da cidade (turismo ecológico e contato com os botos), mesmo a despeito dos protestos dos Na’vi (população local) que reclamaram muito da ausência de transparência do licenciamento ambiental desta obra, da qual não tinha havido previamente nem mesmo audiência pública para discussão dos impactos com a sociedade interessada.

O outro caso – da mineradora (até nisso é igual a Avatar) – é ainda mais grave, pois a mesma está instalada dentro de Terra Indígena e ao lado de uma REBIO e causa impactos, pela própria natureza de sua atividade, nas duas áreas, provocando assoreamento de rios e igarapés, poluição da água e do solo (a operação da empresa gera inclusive escórias radioativas de tântalo, nióbio e ferro) e outros.

Também quando se instalou – e isso foi num tempo em que a legislação ambiental era incipiente – não houveram audiências publicas, nem o estabelecimento de medidas compensatórias adequadas aos Na’vi (indígenas) atingidos. Fazer isso agora é necessário, mas o ideal é que tivesse sido feito desde o início, de forma preventiva, uma vez que os danos ambientais, uma vez existentes, se tornam irreversíveis.

O fato é que TODOS devíamos assistir Avatar, nos reconhecer ali, e fazer como os Na’vi – dizer ao poluidor que a terra não é dele (ou não é só dele), que ele não pode estragá-la para as outras pessoas, não pode tirar o direito das gerações futuras de viverem num planeta em condições no mínimo iguais de habitabilidade, e não pode desenvolver sua atividade econômica desrespeitando a cultura e os valores locais.

Será que vamos precisar de um Jake Sully para nos liderar? Eu conheço uma pessoa que nunca foi soldada, mas que tem uma liderança inconteste, eu votarei nela para Presidente...

*Luciana Montenegro Valente é advogada, especialista em Direito Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Unb – Universidade de Brasília, mestre em Direito Ambiental pela Pace University, de Nova Iorque, e servidora do Ministério Público Federal. Escreve para a "Coluna do Meio", do Blog do Bentes e do Blog do NUMAS, às segundas-feiras.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Amazonino faz festa com o bolo dos outros

Como era de se esperar - sim, porque por mais que não falem, muitos sabem disso -, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), fez festa e promoção pessoal durante a inauguração do complexo viário do bairro do Coroado, que batizou de "Complexo Viário Gilberto Mestrinho". Sob os holofotes, Amazonino cantou a festa como se o bolo sobre o qual queria apagar as velas fosse dele, mas não era.

Claro que em uma análise mais fria, o alvo das atenções - a obra - não é de ninguém, mas de todos. Foi realizado pelo poder público municipal por meio de parcerias. Portanto, cantar que a obra foi feita por um ou por outro é remar para trás, rumo ao velho paternalismo que reinou - ou reina? - soberano por estas bandas. Mas, convenhamos, é fácil fazer festa com o bolo que foi projetado e implementado pelo trabalho de outrem. E isso Amazonino sabe fazer muito bem.

Façamos de conta que somos paternalistas (o povo, em boa parte, ainda é) e deixemos tudo às claras: a maior parte do trabalho, leia-se a mais difícil, foi do antecessor de Amazonino, o ex-prefeito Serafim Correa (PSB). Nisso entra toda a negociação com o Governo Federal por conta do trecho retirado da área do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), a licitação, o acidente que paralisou a obra etc.

Depois de tudo encaminhado, realmente fica fácil fazer o trabalho quase pronto. E isso Amazonino também sabe fazer. O que ele não sabe fazer, e isso é evidente, é fazer seus próprios projetos, suas próprias ações de governo. Ah, sim, isso é difícil, e Amazonino não sabe fazer. A população ainda aguarda pelas mil creches, pela Internet sem fio grátis nas áreas carentes da cidade e outras tantas coisas que devem ser feitas do zero.

E, ao que tudo indica, a população vai continuar esperando.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Casa da América Latina na Internet


A organização Casa da América Latina, formada com o objetivo de promover encontros culturais, políticos e sociais nos países latinos, agora está também na Internet. Em seu site, a entidade disponibiliza sua agenda de atividades, artigos de colaboradores e programação de exibição de filmes, além de outros temas relacionados.

“Agora podemos projetar na grande rede nossas ideias e anseios, divulgar eventos, visando sempre a uma integração latino-americana que supere as fronteiras artificiais impostas por nossos colonizadores. E a internet é uma apropriada frente de atuação, por sua natureza livre de limitações e controles”, diz a nota da entidade, divulgada no fim da tarde deste sábado (30).

O Blog do Bentes vai mudar

E lá se foram quase três anos. O tempo passou, o estilo de escreveu oscilou, o jornalista se formou e o Blog do Bentes continua aqui. Três anos é pouco tempo, mas quando o assunto é Internet, três anos são como trinta. Sim, porque blogs em geral são voláteis, temporários, descartáveis. Este, apesar de não ser o mais perfeito exemplo de longevidade, provou que não veio e se foi com a poeira das modinhas digitais que vem e vão.

De textos em textos, o autor que vos escreve também mudou. E agora vê a necessidade deste blog também mudar. Precisamos nos adaptar, evoluir. Não vamos adiantar exatamente o que vai acontecer daqui para frente ou quando vai acontecer, apenas podemos dar uma pista nada sugestiva e diria até pleonástica: vamos mudar. Vamos mudar porque o tempo mudou, o leitor mudou.

O Blog do Bentes vai continuar por aqui, sua crítica vai continuar por aqui, sua personalidade forte vai continuar por aqui, inclusive muitos de seus textos ácidos e provocativos também, mas, definitivamente, este blog não será o mesmo.

Seu autor já não é mais o mesmo. Mas continuaremos aqui.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Carteira de identidade para jornalistas já disponível

Os jornalistas brasileiros registrados no Ministério do Trabalho já podem emitir a Carteira Nacional de Jornalista. O documento, previsto pela lei nº 7.084 de 21 de dezembro de 1982, será válido em todo o território nacional e poderá ser emitida pelos sindicatos de jornalistas em todos os estados.

Segundo a Fenaj, a emissão do documento acontece mediante pagamento de R$ 75 para jornalistas sindicalizados em dia e R$ 150,00 para os profissionais que por ventura estiverem inadimplentes com a tesouraria dos sindicatos. O valor salta para R$ 300 para jornalistas não sindicalizados.

As informações são do site da Fenaj.



Frente e verso do documento, respectivamente.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Coluna do Meio: Você quer entrar “numas”?

Por Luciana Montenegro Valente*
Edição No. 63

A partir desta semana, a Coluna do Meio passa a ser publicada simultaneamente no Blog do Bentes e no blog do NUMAS – Núcleo Marina Silva, de Manaus.

O NUMAS é um grupo de pessoas, filiadas ou não ao PV-AM (Partido Verde) que tem o ideal comum de eleger Marina Silva presidente do Brasil. O blog foi criado com a intenção de “manter as pessoas atualizadas a respeito de eventos realcionados à senadora Marina Silva, à sua campanha à Presidência da República, e, ao mesmo tempo, a proposta é ser um ponto de encontro para as pessoas interessadas em formar um núcleo deste movimento em Manaus”.

O NUMAS vem se reunindo todas as segundas-feiras, às 18h, nos altos da Livraria Valer do Centro, para colocar em prática nosso plano de “marinar” o Brasil. É um plano supra-partidário (mas que desemboca politicamente no PV e seus aliados), que une pessoas de vários segmentos da sociedade, várias crenças políticas, ideologias e interesses, mas que tem em comum o desejo de um Brasil sustentável, de verdade.

Se você quiser entrar “numas”, não se acanhe, compareça a nossas reuniões, que são abertas, abertíssimas a novas pessoas, idéias e sonhos.

Agora, para quem já entrou “numas”, apresento a Coluna do Meio, uma aventura que comecei, a convite do meu amigo Mário Bentes, em outubro de 2008 e venho escrevendo ininterruptamente (com exceção de férias, quando fico fora do mundo virtual), tentando levantar temas interessantes para a discussão.

A coluna não tem um assunto específico, mas é claro trata sempre de meio ambiente. Às vezes escrevo sobre coisas que aconteceram e acontecem em Manaus, às vezes sobre fatos com os quais tenho contato no trabalho do MPF/AM, outras vezes escrevo “em teoria” sobre política ambiental global e nacional.

Também não foco meu interesse na separação clássica entre as agendas ambientais (verde, azul e marrom) ou na dicotomia entre meio ambiente urbano e rural. Numa semana posso escrever sobre a revisão do Plano Diretor de Manaus e na seguinte sobre as novas leis ambientais do Obama. Não faz diferença, no fim, tudo se une e faz sentido.

A última coluna de 2009, por exemplo, foi sobre a luta dos moradores do bairro Cidade Nova para a preservação do Parque Samaúma, um parque urbano ameaçado pela construção da Avenida das Torres, em Manaus. Duas semanas depois, na última Coluna do Meio, escrevi sobre o filme Avatar e uma análise que li sob a ótica do Direito Espacial...

Passar do Parque Samaúma para Pandora (planeta do filme Avatar) não tem nada demais, no fundo é tudo a mesma coisa: a escolha ética que temos que fazer, enquanto Humanidade, sobre nosso futuro. É tudo sobre a ética intergeracional que temos que resgatar, uma vez que estamos vivendo, nas palavras de Marina Silva, uma “inflexão civilizatória”, ou seja, uma época de fazer escolhas e a nossa responsabilidade é fazer “a escolha certa”, sob pena de... não termos futuro enquanto Humanidade!

Na estréia da Coluna do Meio, que foi ao ar exatamente em 03/11/2008, pedi aos leitores que mandassem perguntas ou sugestões que gostariam de ver respondidas (se eu souber a resposta) ou debatidas, sobre política e direito ambiental ou sobre o meio ambiente por inteiro. Contestassem a minha opinião, contribuíssem, instigassem. Esse pedido continua valendo hoje.

Unir a Coluna do Meio e o NUMAS é mais do que natural, pois ambas as atividades cumprem um mesmo papel na minha vida: são espaços de reflexão pessoal e coletiva sobre o futuro, sobre a esperança e também espaços de catarse de angústias e decepções.

Refletir sobre o futuro, cultivar a esperança e expurgar as angústias e decepções combina visceralmente com o desejo de “marinar” o Brasil. Marina Silva personifica essa experiência pessoal e coletiva que muita gente (cada vez mais gente) vem vivendo, alguns há muito tempo, outros mais recentemente.

É natural que com tantas perspectivas ruins, cidadãos comuns sintam a necessidade vital de reagir, de ACREDITAR... você que se sente assim, pode fazer isso sozinho ou pode entrar NUMAS, conhecer pessoas que sentem e pensam como você (ou não, e neste caso é ainda mais interessante aprender com as visões diferentes) e fazer parte de um movimento, empunhar uma bandeira, abraçar uma causa. Enfim, se isso faz sentido para você, seu lugar é no NUMAS.

Quem está morno em relação à candidatura de Marina, quem tem como prática política o tal “voto útil”, precisa ler a matéria da Revista Piauí – escrita por Daniela Pinheiro. Como no site da revista é preciso ter cadastro para acessar os textos, deixo a dica de ler o artigo através do site do Movimento Marina Silva.org.br (aproveite e conheça todo o site do movimento marina silva, já são várias pessoas de Manaus mantendo páginas pessoais ali).

O nome da matéria na Piauí é “A VERDE” e indica fielmente QUEM É Marina Silva, emocionante, arrepiante... uma mulher, seringueira, senadora, professora e muitas outras coisas. Marina fica no rol daquelas pessoas que são ao mesmo tempo tão comuns (ordinárias) e tão especiais (extraordinárias), o tipo de pessoas que todo mundo deveria ter a HONRA de conhecer e de tentar chegar aos pés delas.

Como escreveu um dos amigos para quem enviei o artigo da Piauí: “Marina é daqueles exemplares únicos de nossa espécie, que muito mais evoluídos do que nós, parecem enviados por Deus para acelerar nossa evolução”. É por isso que a partir de hoje a Coluna do Meio está junto com o NUMAS e vice-versa, porque é preciso ter consciência do momento histórico e fazer cada um a sua parte para que dê certo!

Esta é a minha pequena parte, até semana que vem...

*Luciana Montenegro Valente é advogada, especialista em Direito Ambiental pelo Centro de Desenvolvimento Sustentável da Unb – Universidade de Brasília, mestre em Direito Ambiental pela Pace University, de Nova Iorque, e servidora do Ministério Público Federal. Escreve para a "Coluna do Meio", do Blog do Bentes e do Blog do NUMAS, às segundas-feiras.